"CARAVANA" [ÁLBUM|2017]

// FICHA TÉCNICA

Letra e música | Cafe Republica. Exceto "Elixir", parceria com Eugenio Dale e "Dragão" de Eugenio Dale

Produção | Barbanjo Reis e Cafe Republica

Co-produção | Eugenio Dale

Gravação e Mixagem | Barbanjo Reis, Anderson Ferreira, Eugenio Dale e Cafe Republica, no Estúdio Camelo Azul

Faixas "Caravana" e "Sonhos" gravadas também por Sergio Carvalho

Masterização | Luiz Tornaghi, no Estúdio Batmastersom

Projeto gráfico e diagramação | Talita Hoffmann

// LETRAS

MIRAGEM

achar num pé de vento
a vida, a morte, o tempo
aonde o rastro aponta
o fim da ampulheta
escolhe à toda sorte
um novo grão de areia
caminhar faz do céu um chão
entre o mar de dunas, navegar
a lua inverte a direção
distorce o tempo
adia a solidão
e o sopro do amanhecer

UM

cada vez mais perceber
que ilusão não é só
não é só o que eu finjo viver
e se disser que sonhei
vou negar
vou dizer que vivi tudo dentro de mim
quem é você pra dizer
que o que eu sinto
é menor ou pior do que sei perceber?
mas como pode cada um ser mil?
qual de nós decidiu
na fração de segundo ou então
no espaço do sim e do não
que o melhor era ser mesmo um?

CARAVANA

seu olhar desvenda todo o incompreensível

universo invisível
se dissolve em tantos nessa caravana de dois
te sigo em ciclo
sou meu próprio labirinto
cada passo me refaz em traço vivo
que se move em bando nessa caravana de dois
se for para me achar
mesmo ao acaso
insisto em caminhar
fragmentado

JARDIM DOS OLHOS

voar

em cada pele um semear
em toda parte hei de encontrar
tanta leveza
espalha o pólen
vê crescer
as folhas brincam de inventar
um novo espelho nascerá
resistir à pedra, brotar
vem ver de onde nascerão as plantas

ELIXIR

vou me entrelaçar no teu mistério, amor
vou me inebriar do teu mistério, amor
melodias e sussurros filtram o cinza da cidade
vou me entrelaçar no teu mistério, amor
teu corpo a caminhar e deslizar
por dentro da minha cabeça
cair na tua pele feito fogo
que desfaz e derrete
os frios da espinha dorsal

DRAGÃO

tomarei ares de um rei que reino algum
aqui tentou tombar no metrô
o dragão
a escutar o que eu falei
de mais comum pro meu amor
quando mudei de cor tropecei num senhor
que procurava um coração
como quem busca algum lugar
que ainda não cheguei
só porque largo às seis
se pelo menos uma vez
eu conseguisse camuflar
aquilo que pintei no metrô
o dragão
sempre a vencer o rei

SONHOS

não pense em sonhar
é quase o limiar
já não sei se vou achar
que vou sentir onde estará
o fim desse sonhar
não se apegue mais
à mera ilusão de estar desperto
à mera ilusão de estar atento
me encontrará mais sólido que o vento
não pense em sonhar
é quase o limiar
nunca sei se vou achar
que vou sentir onde estará
o fim desse sonhar
não há mais prisão
os lenços te envolvem como um sonho
o sonho que agora é eterno
contente agora sei onde te espero

VARANDA

faz da alvorada, vontade do cinza tocar

como se andar fosse aqui um distúrbio qualquer
e na surpresa anoitece o engano de amar
vai que a cidade em paz te leva e trás
vai!

DELÍRIO

vi surgir

em meio à doce morte do amanhã
enquanto os nossos planos haverão de se realizar
o mesmo olhar
outro céu
chorar e sorrir
nada senti sendo vivo
em outro vão,
em outro espaço-tempo
que não vão
nos permitir viver o que há em nós
em outro lugar
o mesmo céu
fácil sentir
o que se quis, ser completo

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